Publicado por: Marcela em: abril 26, 2012
Certa vez ouvi de uma pessoa que acabara de entrar na minha vida que ela achava que não faria mais amigos depois da faculdade. Aquilo me fez refletir e entender que a vida adulta realmente começa depois do diploma e o quanto o ser humano se torna sério e inflexível para novos entrantes após essa fase. Já percebeu isso?
As amizades que trazemos da infância são aquelas incontestáveis, ficamos ali do lado daquela pessoa, mas não se sabe bem o motivo. Só o que se sabe é que esses laços foram construídos naquele período sem julgamentos e que se perdurou até hoje é porque mais nada pode abalar.
Já as amizades de colégio são aquelas mágicas, doces, que faz a gente olhar para cara da pessoa e passar um filme em segundos de todos os momentos que vivemos com ela. É como se o café corrido de hoje, no meio do horário trabalho, ainda fosse a adorável hora do recreio.
Depois tem aqueles que encontramos por aí na adolescência. Confesso que eu não possuo a arte de cultivar muitos amigos, ainda mais naquele tempo. Hoje em dia é muito mais fácil com todo esse avanço tecnológico pra essa molecada. Na minha época, escrever isso faz com que eu lembre do meu colesterol alto, ou seja estou velha. Voltando ao raciocínio antes que eu enfarte: não tinha celular, sms, twitter, facebook, tumblr e por aí vai. No máximo a gente tinha um teletrim (se você tiver menos de 25 anos provavelmente nunca viu um desses) e guardava o número do telefone de CASA na agenda eletrônica, que por sinal era o auge ter um desses naquela época. Aí me diz quantos grandes amigos você traz da adolescência? Complicado né?
Cresci com o meu pai dizendo que não fazemos amigos no trabalho. Sempre quebrei essa regra. Não tem um lugar que eu tenha trabalhado que eu não tenha feito pelo menos um amigo. Amigo de verdade mesmo. Como muitos sabem eu sou uma pessoa feita de pessoas, então se eu não tiver pessoas comigo no meu ambiente de trabalho aquilo perde totalmente a graça, o sentido. Aliás, levo comigo grandes amizades extraídas de lugares que não voltaria a trabalhar nem por todo dinheiro no mundo. Escolhi a dedo todas elas e tenho uma certeza tão grande que serão eternas, se o destino deixar.
E os amigos da vida? Ah, esses entram no meio do nada, sem pedir licença e se instalam ali. Uns entram devagar e te conquistam, já outros você não tem tempo de gostar porque dá a sensação que já estiveram por perto em algum outro lugar, em algum outro momento da nossa eternidade. Alguns são meio que irmãos. Daquele tipo que não precisa se provar nada, é o que é. Ama-se com todo seu coração e ponto.
O que hoje me tirou da cama às 11:30 da noite e me fez perder o sono foi pensar que as pessoas ainda me surpreendem. Não só de forma positiva, não sejamos tão otimistas, pois aprendo a cada dia que essas mesmas pessoas, os que os chamo de amigos, ainda vão me decepcionar, pisar na bola comigo, irão me julgar. Exatamente igual faço com eles, afinal somos todos graciosamente imperfeitos. Mas o que cabe a mim é valorizar a doçura no olhar de cada um, as qualidades e saber se vale a pena continuarmos juntos nessa longa estrada.
Aos meus verdadeiros amigos, todo meu amor. <3
“A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas.” Carlos Drummond de Andrade
Marcela Soares
Publicado por: Marcela em: abril 20, 2012
Meu mundo.
Ambiente particular, meu, só meu.
Dele eu faço o que quero e como eu quero.
Mas às vezes é difícil.
E nesse vai e vem, nem eu sei o que quero.
Certezas.
Absolutas certezas.
Tão finas como um filó.
Num piscar de olhos,
Viram pó.
Contradições.
Do fundo da minha alma,
Atesto como uma das minhas grandes permissões,
Para não enferrujar,
Para não parar,
Para não engessar.
Decepções.
Cesto cheio delas.
Que nem vale as menções,
Mas dizem por aí,
“Aprendizado de milhões”.
Vitórias.
Ah, tão raras.
Por isso tão belas,
Tão preciosas,
Para se guardar na memória.
E assim,
Vou levando,
Essa mistura de sentimentos
Sendo isto meu alimento.
Marcela Soares
Publicado por: Marcela em: setembro 1, 2011
Setembro.
A chegada do nono mês e oito pra trás.
4 meses para os meus 29 e 28 pra trás.
A chegada da primavera e o inverno pra trás.
Nada como mais um “dia primeiro”,
E a gente deixa o que é ruim pra trás.
Assim, renovamos nossas esperanças,
Cultivamos em nós mesmos a confiança,
Sonhamos como crianças,
E colocamos fé nas mudanças.
Que o clima gostoso dessa estação
Aqueça meu coração,
Mostrando uma nova direção.
E assim Setembro,
Eu te recebo.
Marcela Soares
Publicado por: Marcela em: agosto 18, 2011
Se perguntassem hoje qual seria um dom que gosto muito, eu diria sem pestanejar: Escrever! Mas aí como indivíduo contraditório que sou me pego meses sem ao menos escrever uma única frase.
Antes de parar em frente a esse computador tive um tipo de motivação, esta na qual me trouxe ao blog novamente. Mas na hora H, eu falho. Broxante, no sentido real da palavra.
Pensei que talvez fosse falta de assunto, que a minha vida não fosse pra lá de interessante como essas por aí. Sim, eu sou dramática como novela mexicana, eu sei. Coisas que só capricornianas entendem mesmo.
Tirando o drama interiorizado volto a olhar pra minha vida e entender que assunto não falta. O problema não é o que acontece nela e sim o medo de encarar certas coisas.
Quando se escreve, se registra algo e aquilo não pode ser mais apagado. Está ali, existiu e agora existirá pra sempre. Ás vezes lembro-me de passagens de textos meus que me remetem a algum momento vivido e que mexem de alguma forma com os meus sentimentos, sejam eles bons ou ruins. Por outro lado, nossa memória é seletiva, nosso HD nem é tão grande assim e não nos lembramos de muitas coisas que aconteceram. Ou seja, ler registros te dá a possibilidade de voltar no tempo, de sentir o gostinho do que foi bom novamente, dá aquela nostalgia deliciosa que você fala quando acaba de ler: “Ah, o verãooo”, ou “preciso viajar mais vezes” ou até mesmo “eu fui muito feliz com ele”.
Como tudo na vida tem dois lados, preciso encarar a parte ruim desse dom e me deixar levar! Por mais que eu não leia nunca mais os textos desses momentos conturbados da minha vida, saberei que eles existiram e me serviram de lição para eu escrever sempre o próximo capitulo da minha história.
Estou de volta… para o futuro!
Marcela Soares
Publicado por: Marcela em: abril 8, 2011
Voltei.
Minha motivação parte de um acontecimento triste, mas acho que eu precisava de uma sacudida na alma para a minha sensibilidade e pelo meu amor à escrita reacender.
Esta difícil encarar que a loucura de um ser bateu à nossa porta. Invadir escolas e matar dezenas de crianças não é a notícia mais nova da história mundial, mas o fato é que esta sempre é muito chocante e agora ela estréia no Brasil.
Somos acostumados a nos acostumar com o que esta perto, afinal a violência no Rio de Janeiro já esta banalizada aos nossos olhos. A grande diferença esta no propósito que existe entre elas. Nada justificável, mas por hora passível de entendimento quando se dá por fome, por injustiça social, por falta de base e assim vai. O que choca é a falta de humanidade da raça que nos cerca. É o que me faz pensar, me perguntar e por fim nada achar. Faltam-me respostas onde nem mesmo uma carta daquele verme, na tentativa de explicar tamanha crueldade para amenizar a dor que deixou nos pais de 12 crianças.
Tenho a sensação que o mundo virou de cabeça pra baixo, que os valores se perderam no meio da caminhada e até a natureza anda se manifestando para um desespero generalizado. Mas acredite você ou não um sorriso ainda ilumina meu dia, a superação ainda me emociona e a pureza de uma bebê me faz acreditar que estou indo na direção certa.
Como dizia Hebert Viana, esse sábio contemporâneo: “A arte de viver da fé, só não se sabe fé em quê”.
Marcela Soares